No primeiro artigo (você pode ver clicando aqui.) eu indiquei diversas referências de baixa fantasia e sinto que fiquei devendo uma explicação melhor a cerca daqueles que considero mais relevantes.
Fora o fato de que fui relapso em citar exemplos de mundos e cenários que pudessem auxiliá-lo, caro leitor, de modo que dessa vez decidi reunir o útil ao agradável e escrever esses “pequenos” adendos.
Então no artigo de hoje vamos dissecar algumas das referências citadas no primeiro artigo e discutir como elas podem ser uma base não apenas para o cenário como para diversas campanhas. Claro que vou tentar evitar spoilers, vou me ater apenas uma leve descrição dos aspectos relevantes a temática.
Esse é um anime/ mangá sensacional e um exemplo perfeito do que é uma excelente história e lotado de referências de baixa fantasia. A história acompanha o jovem e inexperiente príncipe Arslan herdeiro do trono da Parsia que busca reconquistar o seu reino que foi tomado por uma força invasora, o exército do reino da Lusitânia, aliada a um misterioso guerreiro de máscara prateada.
Enredo a parte – que por sinal é incrível – vemos um príncipe idealista, que poderia facilmente ser um NPC, começando sua jornada praticamente do zero após o seu exército ter sido desastrosamente derrotado e o rei, ser capturado em batalha, deixando o herdeiro acompanhado somente por um cavaleiro de armadura negra que jurou protege-lo. Pouco a pouco o príncipe reúne aliados competentes que acreditam em sua visão de mundo e se dispõe a ajuda-lo em sua luta.
Esse resumo por si só poderia ser o suficiente para descrever a base de uma longa campanha. Contudo, a obra é extremamente bem sucedida em abordar o conflito de maneira humana, retratando as crueldades de ambos os lados, além de diversos desdobramentos políticos e militares dos principais lados do conflito, além de tocar em assuntos sensíveis como misoginia, xenofobia e preconceito religioso.
Os invasores lusitanos creem em um único deus e são extremamente intolerantes com a religião e os costumes de outros povos. Usam a cultura escravocrata dos parsianos, além de trechos de seu livro sagrado, como justificativa para invadir o reino e massacrar sua população, chegando ao ponto de queimar em grandes piras o conhecimento escrito do mesmo.
Os parsianos, por outro lado, são escravagistas e tradicionalistas. Apesar de Arslan ser uma pessoa justa – que deseja acabar com a escravidão – ele é filho de um verdadeiro déspota, facínora que não nutre qualquer afeto por ele. Fora o fato de que muitos nobres se aliam a ele buscando seus próprios interesses aos invés da libertação da nação.
Descrever todos os personagens da série é desnecessário – até porque eu quero que você, caro leitor, a assista -. Portanto vamos a uma associação básica entre os personagens principais e os arquétipos mais conhecidos da fantasia medieval.
Percebam que em momento algum foi citado magia. Ela até existe, mas sua presença é ínfima e aparentemente está nas mãos de uma facção ou culto misterioso, que não parece lá muito bem intencionado. (será que depois de detalhá-los, posso dizer que os personagens são 10 referências de baixa fantasia?). Os feitiços mostrados não são “pirotécnicos” e nem evidentes – com exceção de um – mostrando-se extremamente sutis e enigmáticos.
Arslan Senki é um mangá com muitas batalhas campais entre exércitos. É algo que costuma ser evitado no RPG, mas o próprio fornece uma solução elegante para os problemas que normalmente temos com esse tipo de narrativa. Cada personagem do grupo assume o comando de uma unidade do exército, com missões específicas ou mesmo em missões solo para coletar informações ou sabotar as defesas inimigas.
Tanto o anime quanto o mangá são excelentes e uma boa alternativa para se inspirar e criar seu próprio cenário de campanha. Queria poder dizer mais, mas… Fica a deixa para quem ficou curioso correr atrás para saber mais.
O 13º Guerreiro é um filme de 1999, que infelizmente foi um fracasso de bilheteria, estrelado por Antônio Bandeiras que conta a história de Ahmed Ibn Fahalad, um poeta e cortesão árabe que é nomeado embaixador em uma terra distante ao norte – na prática ele é exilado – onde faz contado com um grupo de guerreiros vikings e acaba a contra gosto unindo-se ao grupo em uma missão para combater um inimigo sobrenatural e ancestral que ameaça um reino aliado.
Esse é um dos meus filmes preferidos, tem uma história simples e fechada, ambientada em meados do antes do ano mil, sendo o segundo filme que eu mais indico para quem quer jogar como Bárbaro
No quesito originalidade esse filme é perfeito. Nenhum dos guerreiros nórdicos faz parte do estereótipo e todos eles são diferentes, com suas próprias personalidades e estilos de luta, mesmo que Ahmed seja o protagonista ele é mais uma testemunha dos fatos – ainda que na hora da ação ele mostre serviço – aprendendo pouco a pouco o idioma (em um cena incrível) e os costumes dos nórdicos, conquistando sua amizade e respeito. Não temos aqui o bárbaro burro, o guerreiro “lobo solitário” e nem o intelectual babaca estilo Dr. House, mas indivíduos com habilidades distintas e que as empregam para superar os desafios.
O sobrenatural que cerca a ameaça do filme causa um nível de tensão e periculosidade do início ao fim trazendo a sensação de desconforto de que mesmo esse grupo de “cascas-grossas” pode encontrar seu fim nas mãos dele.
Toda a superstição que envolve os inimigos gera momentos catárticos tanto nos personagens quanto em nós espectadores. Um dos melhores climas e construção de ameaça que eu já vi, tudo isso em uma trama muito simples, mas que trás uma sensação de épico escandinavo, com grandes batalhas, bem realistas e relativamente pouco gore.
Ainda no sobrenatural, não temos a figura de um mago ou mesmo de feitiços sendo feitos. Entretanto, contamos com a presença de anciões e figuras religiosas para passar informações importantes aos protagonistas e ajudá-los a conhecer seus inimigos, explorando suas próprias crenças contra eles.
O que prova o argumento do artigo anterior. Não é preciso que a magia exista ou que alguém lance bolas de fogo das mãos para que o seu cenário seja fantástico e místico. Afinal temos no filme um reino nórdico basicamente rural com construções de madeira lidando com uma ameaça regional. O destino do mundo não está nas mãos dos protagonistas, mas ainda sim temos uma narrativa épica, porém em menor escala.
Além de se ser uma boa inspiração e conter claras referências de baixa fantasia, esse é também um filme muito divertido. Com cenas marcantes e combates brutais que não devem nada e continuam bem feitas e emocionantes até hoje.
E por aqui eu fico – por enquanto, logo menos estarei aqui com a segunda parte -. Depois de destrinchar estas duas, trarei outras referências de baixa fantasia para vocês e outros assuntos os quais pretendo manter vocês entretidos com ”pequenas” prosas!
Dizem por aí que quem deixar um comentário aqui embaixo vai critar no próximo d20 que rolar… será?
Créditos de imagem:
01: Arslan Senki (Fonte)
02: Arslan Senki (Fonte)
03: 13º Guerreiro (Fonte)
04: 13º Guerreiro (Fonte)
Quando mestro sessões de RPG, sempre busco maneiras de mergulhar meus jogadores mais profundamente na… Read More
Vou te levar agora por uma fascinante jornada pelo mundo dos Board Games, mergulharemos na… Read More
Narrar uma sessão de RPG é como tecer uma tapeçaria de histórias, e eu acredito… Read More
Em qualquer tipo de jogo, a personalização sempre foi um aspecto importante para os jogadores.… Read More
Bem-vindo ao nosso guia definitivo dos 10 principais pontos turísticos de Baldur's Gate, uma cidade… Read More
O curioso sobre esse tópico é considerando o tamanho da obra envolvendo Forgotten Realms como… Read More